04 junho 2026

Voávamos nas margens infinitas de um olhar

Voávamos nas margens infinitas de um olhar

Capaz do louvor ardente em outras ruas e nomes

Os ausentes

Trabalhos

Incapaz de voar e de saber que há no silêncio de uma vírgula

A saliva do desejo em não o desejar

 

Na cama uma abelha acaricia o sexo de uma sombra

E têm os seios da sombra as aspas da madrugada

Que é a sebenta e que é a luz molhada

Que traz do mar

A triste estrela

E o fim de um olhar

 

E o que fazer com a janela que está encerrada

Na quase maré e incenso da boca

Que o sexo da sombra é o mergulho

No sangue oculto

Encarnado da abelha

Na esperma cama que a noite adivinha

 

04/06
10:27