Abílio, Abílio meu poeta
gato infiel
O que tens tu, Abílio
aflito
Que tão aflito que estás
Que não sendo eu gato nem
poeta, Abilio
Sinto-te triste, meu
amigo
Meu amigo Abílio gato invisível
poeta, Abílio
Que quase noite que és e o
serás
E daí nunca passarás, é a
vida, meu querido amigo gato poeta, Abílio
Sentindo no cu o ardume
do silêncio
E na boca o fogo dos
cigarros
Gato és preto és poeta és
Abílio és infiel és gato
E olhas do cimo do monte,
a espuma
O vinho em cadeia, derramando
pedras
Se erguendo, se escondendo
no buraco da sombra, Abílio
O sinto, meu amigo Abílio
04/06
21:42