04 junho 2026

Abílio, Abílio meu poeta gato infiel

Abílio, Abílio meu poeta gato infiel

O que tens tu, Abílio aflito

Que tão aflito que estás

Que não sendo eu gato nem poeta, Abilio

Sinto-te triste, meu amigo

 

Meu amigo Abílio gato invisível poeta, Abílio

Que quase noite que és e o serás

E daí nunca passarás, é a vida, meu querido amigo gato poeta, Abílio

Sentindo no cu o ardume do silêncio

E na boca o fogo dos cigarros

 

Gato és preto és poeta és Abílio és infiel és gato

E olhas do cimo do monte, a espuma

O vinho em cadeia, derramando pedras

Se erguendo, se escondendo no buraco da sombra, Abílio

O sinto, meu amigo Abílio

 

04/06
21:42