Que parvo que eu fui, em
acreditar
Que parvo que eu sou, em
sonhar
Que tolo que eu fui, em
amar
Quando é impossível amar,
este mar
01/06
21:11
Que parvo que eu fui, em
acreditar
Que parvo que eu sou, em
sonhar
Que tolo que eu fui, em
amar
Quando é impossível amar,
este mar
01/06
21:11
A sensação de estar morto
Só, no silêncio dos teus olhos
A noite que voou sobre a geada da última estrela
Em verso no teu corpo
Só, tão só me despeço do teu olhar
Como se fosse um pedaço de pedra
Lançada contra os meus poemas
Que ardem na floreira do mar
E tão só me ausento de ti e em ti
Na alvorada manhã em fogo
Que a escuridão da chuva
Não sabe amar o mar de tinta que dorme na tua pele
01/06
19:44
do alentado desalento
desencanto dos teus olhos
se a vertigem o deixar,
na procura e na distância
quando da lua a
sonolência ausência da tua mão
em medo de me tocar
o medo dos teus lábios em
me beijar
no círculo lunar e polar
no corrupio e sinistro do
meu viver
neste abismo marítimo de
existir e em te amar
sentido o vento fatiado
sobre a espuma da voz
de ouvir-te gritar quando
a noite é criança
e quando a noite é o
sonhar
de uma lágrima em revolta
sentindo o fogo no abismo
destino de brincar
se ao menos tivesse na
cara uma mão para me acariciar
se ao menos existissem
nas palavras
sementes para eu semear
para eu semear na terra
desventrada
a tarde disfarçada e
miserável areia de lançar contra a urze
o dia capaz de o ser, e
de se erguer
acreditando na palavra
dispensando a fama e o
viver
rejeitando a vida e
rejeitando o ser
que os teus olhos na
vertigem e em vertigem
desenham a raiz quadrada
do amanhecer
01/06
05:17
Uma vagão de esperma na
fúria janela da morte
Uma fome na cama e um hospício
doente na fimbria urtiga do adeus
Os testículos estão
contentes
Que do pénis ausente não
sente
E sente o clitóris
estrelar
Uma vagina em viagem e
sem passaporte
Uma cama doente e que
sente e que teima em não ter dentro dela o divã da espuma em pequenos Óis
O papiro e o gajo que se
masturba em frente ao espelho
O gajo que embruxa e que
bocha
A boca da noite
Na noite testicular de
uma mão
A boca questiona-o e
dizia-se o ventre desventrado
E que hoje sabe que tem
no cu o diabo
E na barriga as amêndoas
da primavera
Um comboio que não espera
A cama suja e derramada e
sem nada sobre a tábua em lira de canto
A janela é hoje um vagão
de esperma em fúria
Na fúria de uma janela
sem arte nem sorte de morrer.
31/05
21:35
Até que o vento seja
gente, que teima e que sente
E que mente
E se ausenta na denúncia
de uma carta
Que o grito semeia na
geada a sanzala da meia-noite
Que o diga o Diógenes
mais Diógenes do universo centro e verso da galáxia de um adeus
Que se parte em pedaços a
porcelanas
Que as ferragens são
grana
E a rama do batatal
alheio e concreto
No céu um outro olhar
Na terra uma divina canção
e do meu eu
Sem nome
Sem fome como eu
Nos primeiros beijos da
despedida
Sentida que o era ter e
deixar de ser a algibeira de uma canoa
Que voava e que já não
voa
Que doida é a igreja do
meu sentir
Que doida é a tristeza do
meu sorrir
Que tantas vezes são
vezes sete vezes ao quadrado
Que a raiz cúbica não é
hoje mais a solidão de uma lâmpada
Tejo
Ao longe te vejo e te
quero nos braços
Tejo.
Que tanto eu de ti
preciso.
A voz era erguida
Na curva viva da vida
A voz era sentida
Assistida e assumidamente
perdida
A voz que era gigante
Tão o era como a morte de
muita gente
Que vive e teima e que
sente
A morte de outra tanta gente
A voz que mente
A voz que escreve na noz
e em vós este meu ser ausente
De tão longe que vim e
que fui e que sou um vidente
Na curva a última jangada
para o além lactante
Amém menino
O néon quase a voz do
destino
A voz era erguida no
lamento do sino
Que a torre o tenha em
descansado deus e tino
Que a voz era erguida
Na curva viva da vida
Que a voz sabia e
percebia e que era também sentida
Na estrada da vida e na
morte vida que viva.
31/05
21:15