Uma vagão de esperma na
fúria janela da morte
Uma fome na cama e um hospício
doente na fimbria urtiga do adeus
Os testículos estão
contentes
Que do pénis ausente não
sente
E sente o clitóris
estrelar
Uma vagina em viagem e
sem passaporte
Uma cama doente e que
sente e que teima em não ter dentro dela o divã da espuma em pequenos Óis
O papiro e o gajo que se
masturba em frente ao espelho
O gajo que embruxa e que
bocha
A boca da noite
Na noite testicular de
uma mão
A boca questiona-o e
dizia-se o ventre desventrado
E que hoje sabe que tem
no cu o diabo
E na barriga as amêndoas
da primavera
Um comboio que não espera
A cama suja e derramada e
sem nada sobre a tábua em lira de canto
A janela é hoje um vagão
de esperma em fúria
Na fúria de uma janela
sem arte nem sorte de morrer.
31/05
21:35
Até que o vento seja
gente, que teima e que sente
E que mente
E se ausenta na denúncia
de uma carta
Que o grito semeia na
geada a sanzala da meia-noite
Que o diga o Diógenes
mais Diógenes do universo centro e verso da galáxia de um adeus
Que se parte em pedaços a
porcelanas
Que as ferragens são
grana
E a rama do batatal
alheio e concreto
No céu um outro olhar
Na terra uma divina canção
e do meu eu
Sem nome
Sem fome como eu
Nos primeiros beijos da
despedida
Sentida que o era ter e
deixar de ser a algibeira de uma canoa
Que voava e que já não
voa
Que doida é a igreja do
meu sentir
Que doida é a tristeza do
meu sorrir
Que tantas vezes são
vezes sete vezes ao quadrado
Que a raiz cúbica não é
hoje mais a solidão de uma lâmpada
Tejo
Ao longe te vejo e te
quero nos braços
Tejo.
Que tanto eu de ti
preciso.