31 maio 2026

O clitóris estrelar

Uma vagão de esperma na fúria janela da morte

Uma fome na cama e um hospício doente na fimbria urtiga do adeus

Os testículos estão contentes

Que do pénis ausente não sente

E sente o clitóris estrelar

 

Uma vagina em viagem e sem passaporte

Uma cama doente e que sente e que teima em não ter dentro dela o divã da espuma em pequenos Óis

 

O papiro e o gajo que se masturba em frente ao espelho

O gajo que embruxa e que bocha

A boca da noite

Na noite testicular de uma mão

 

A boca questiona-o e dizia-se o ventre desventrado

E que hoje sabe que tem no cu o diabo

E na barriga as amêndoas da primavera

Um comboio que não espera

 

A cama suja e derramada e sem nada sobre a tábua em lira de canto

A janela é hoje um vagão de esperma em fúria

Na fúria de uma janela sem arte nem sorte de morrer.

 

31/05
21:35

 

Até que o vento seja gente, que teima e que sente

E que mente

E se ausenta na denúncia de uma carta

Que o grito semeia na geada a sanzala da meia-noite

Que o diga o Diógenes mais Diógenes do universo centro e verso da galáxia de um adeus

Que se parte em pedaços a porcelanas

Que as ferragens são grana

E a rama do batatal alheio e concreto

No céu um outro olhar

Na terra uma divina canção e do meu eu

Sem nome

Sem fome como eu

Nos primeiros beijos da despedida

Sentida que o era ter e deixar de ser a algibeira de uma canoa

Que voava e que já não voa

Que doida é a igreja do meu sentir

Que doida é a tristeza do meu sorrir

Que tantas vezes são vezes sete vezes ao quadrado

Que a raiz cúbica não é hoje mais a solidão de uma lâmpada

Tejo

Ao longe te vejo e te quero nos braços

Tejo.

Que tanto eu de ti preciso.