01 junho 2026

desencanto dos teus olhos

do alentado desalento desencanto dos teus olhos

se a vertigem o deixar, na procura e na distância

quando da lua a sonolência ausência da tua mão

em medo de me tocar

 

o medo dos teus lábios em me beijar

no círculo lunar e polar

no corrupio e sinistro do meu viver

neste abismo marítimo de existir e em te amar

 

sentido o vento fatiado sobre a espuma da voz

de ouvir-te gritar quando a noite é criança

e quando a noite é o sonhar

de uma lágrima em revolta

 

sentindo o fogo no abismo destino de brincar

se ao menos tivesse na cara uma mão para me acariciar

se ao menos existissem nas palavras

sementes para eu semear

 

para eu semear na terra desventrada

a tarde disfarçada e miserável areia de lançar contra a urze

o dia capaz de o ser, e de se erguer

acreditando na palavra

 

dispensando a fama e o viver

rejeitando a vida e rejeitando o ser

que os teus olhos na vertigem e em vertigem

desenham a raiz quadrada do amanhecer

 

01/06
05:17