do alentado desalento
desencanto dos teus olhos
se a vertigem o deixar,
na procura e na distância
quando da lua a
sonolência ausência da tua mão
em medo de me tocar
o medo dos teus lábios em
me beijar
no círculo lunar e polar
no corrupio e sinistro do
meu viver
neste abismo marítimo de
existir e em te amar
sentido o vento fatiado
sobre a espuma da voz
de ouvir-te gritar quando
a noite é criança
e quando a noite é o
sonhar
de uma lágrima em revolta
sentindo o fogo no abismo
destino de brincar
se ao menos tivesse na
cara uma mão para me acariciar
se ao menos existissem
nas palavras
sementes para eu semear
para eu semear na terra
desventrada
a tarde disfarçada e
miserável areia de lançar contra a urze
o dia capaz de o ser, e
de se erguer
acreditando na palavra
dispensando a fama e o
viver
rejeitando a vida e
rejeitando o ser
que os teus olhos na
vertigem e em vertigem
desenham a raiz quadrada
do amanhecer
01/06
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