31 maio 2026

A voz

A voz era erguida

Na curva viva da vida

A voz era sentida

Assistida e assumidamente perdida

 

A voz que era gigante

Tão o era como a morte de muita gente

Que vive e teima e que sente

A morte de outra tanta gente

 

A voz que mente

A voz que escreve na noz e em vós este meu ser ausente

De tão longe que vim e que fui e que sou um vidente

Na curva a última jangada para o além lactante

 

Amém menino

O néon quase a voz do destino

A voz era erguida no lamento do sino

Que a torre o tenha em descansado deus e tino

 

Que a voz era erguida

Na curva viva da vida

Que a voz sabia e percebia e que era também sentida

Na estrada da vida e na morte vida que viva.

 

31/05
21:15