Era o sono cansaço da mão
em repulsa
Na mão que pula, e que
pulsa
A seara de um olhar
Há quanto tempo pertence
o infinito
Vergue, velho e trapo do
viver
Era o sono de uma janela
E o sabia que vinham as
tempestades e as saudades
E que me levariam, e se
eu o quisesse, ao menos
O saber, dizer a mim
mesmo que o amanhã já não nos pertence
E sabendo que hoje ainda
há milhões de estrelas a morrer
E milhões de estrelas a
nascer, aí está o segredo
O começo, nascer, crescer
E morrer
Como corpo ou como partícula,
tudo tem um fim
Menos o poema, menos a
paixão
Era o sono cansaço da mão
em repulsa
Na mão que pula, e que
pulsa
A seara de um olhar
Era o sono disfarçado de
olhar
No sono olhar de uma estrela,
não interessa se está a nascer, ou se está a morrer
Francisco
17/05
21:43