17 maio 2026

Era o sono cansaço da mão em repulsa

Era o sono cansaço da mão em repulsa

Na mão que pula, e que pulsa

A seara de um olhar

Há quanto tempo pertence o infinito

Vergue, velho e trapo do viver

 

Era o sono de uma janela

E o sabia que vinham as tempestades e as saudades

E que me levariam, e se eu o quisesse, ao menos

O saber, dizer a mim mesmo que o amanhã já não nos pertence

E sabendo que hoje ainda há milhões de estrelas a morrer

 

E milhões de estrelas a nascer, aí está o segredo

O começo, nascer, crescer

E morrer

Como corpo ou como partícula, tudo tem um fim

Menos o poema, menos a paixão

 

Era o sono cansaço da mão em repulsa

Na mão que pula, e que pulsa

A seara de um olhar

Era o sono disfarçado de olhar

No sono olhar de uma estrela, não interessa se está a nascer, ou se está a morrer

 

Francisco

17/05
21:43