Promessas, quase a noite
sentia o musseque, enquanto lá fora, do outro lado do rio
Um qualquer algoritmo, muito
mais fraquinho do que eu, que nem é carne, que nunca será o peixe, mas
Mas nesse musseque vivia
um crocodilo, não, não meus queridos amigos,
Não é o “Crocodilo que voa”
do Pacheco,
Este é outro crocodilo,
mais esbelto, mais refinado, e educado
E que nunca ninguém lhe
ouviu da sua aparelhagem stereo “puta que os pariu),
Como o Crocodilo do
Pacheco
Mas este crocodilo
sabia-a toda, parecia o Ferro a desmontar auto-rádios durante a noite,
Mal chegava ao tribunal,
Bom dia senhor Ferro, por
aqui outra vez,
É verdade, meritíssima juíza,
é verdade
É a minha sina, e a
desgraça da minha filhinha
Que tivesse pensado na
filha antes, e que iria passar mais uns dias de férias, férias no sombreado da
ausência, humana.
O crocodilo, às terças-feiras
e sábados, sentia vómitos
Sentia-se aflitamente,
aflito
Doidito do corpito, e dos
olhos. O musseque nunca dormia, ou ao longe
Um mabeco, se ouvia
Ou ao perto uma galinha cacarejava,
e muito mais ao perto,
Uma mulher fodia e gemia
e desejava, e também cantava.
No musseque tudo se
podia, e tudo se fazia, e de nada valia
Fugir, como o Ferro que
pensava que o conseguia. Um dia.
Porque um dia ele ao
musseque voltaria, isto é, não eu, mas o crocodilo que vivia no musseque,
Não Ferro, fugir, é
impossível.
Felizes aqueles que nem o
corpo conseguem encontrar, e cada friesta, e cada pausa, doce e meiga, quando o
capim nas nádegas lhe tocava, e ela
Sentia, o vento que
trazia o cacimbo, que fazia a terra se erguer às quatro da madrugada,
E ninguém queria comer as
raízes nocturnas de um sonho,
Tão pouco,
As lágrimas da madrugada.
10/07
22:22