11 julho 2026

Já não pertenço a este corpo

Já não pertenço a este corpo

Amorfo, sem dorso

Já não venço

A mão do corpo a que pertenço

 

Já não sinto o visível

Invisível olhar da corsa

Do saltar sobre os rochedos do mar

Que nunca foi o mar, que o meu corpo quer

 

E que nunca teve casa

E que nunca teve mulher

À nuvem silêncio e espada

 

Traz o vento

Traz contigo a machada

E serra a luz em pedaços

Em pedaços a madrugada

 

E o nada

 

Ser o ser

Que deixei de o ser

E

De pertencer a este corpo

 

E a este vento

Já não pertenço a este corpo

Lamento

Eu o lamento.

 

11/07
06:22