Já não pertenço a este
corpo
Amorfo, sem dorso
Já não venço
A mão do corpo a que
pertenço
Já não sinto o visível
Invisível olhar da corsa
Do saltar sobre os
rochedos do mar
Que nunca foi o mar, que
o meu corpo quer
E que nunca teve casa
E que nunca teve mulher
À nuvem silêncio e espada
Traz o vento
Traz contigo a machada
E serra a luz em pedaços
Em pedaços a madrugada
E o nada
Ser o ser
Que deixei de o ser
E
De pertencer a este corpo
E a este vento
Já não pertenço a este
corpo
Lamento
Eu o lamento.
11/07
06:22