Tinha com ele todos os
segredos da noite, e sempre que a charrua saía de casa para lavrar cada
caderno, desbravar cada pedaço de sono, ou de insónia, ela sabia que a mão que
lhe pegava, era mais frágil do que o vidro que a separa do destino
Pegaste nos meus óculos
Eu não, nem sequer os vi,
nem a tua cara vi ainda hoje, procura em cima da secretária, ou na gaveta onde
escondes as sílabas que depois noite dentro,
Semeias na algibeira de
um adeus.
Quem sabe, quem sabe se
um dia, olha
Olha, talvez amanhã, quem
sabe
O cacto não tenha mais espinhos,
nem o (cagado) peneiras no seu andar, quem sabe, quem sabe se amanhã o cágado comece
a correr milhas submarinas em menos de um minuto, ou dois
Que depois a tia Adosinda
esticada na cama, quase que voa contra o tapume da vizinha, que já se foi, e
que se vem
A todas as sextas-feiras
de primavera.
O carro lá ia, isto se
diz, nem ia nem se vinha, e quando acordava, a tosse de sempre, o catarro, e a
sonolência de não querer dormir, porque
Já procuraste na estante,
às vezes
Perdia tudo, isto é,
quase que não perdia, mas quando descia a noite sobre o alpendre, aí sim,
Sim, minha linda flor de
lótus, o problema é mesmo a noite, ele se perde, e eu fico sem tino,
desatinado, encurralado dentro de um círculo de luz, em tons de azul, e
Olha, afinal tinha-os na
cara e procurava por eles
Coitado, coitado do
Alfredo, que além de ser o Alfredo, é um gato pindérico, mesquinho, tão felino,
como feio o é
Sempre o mesmo odor,
sempre a rua a mesma, sempre o encarnado a vestir-se de néon menino, eu queria
lá saber das vírgulas semeadas na lápide de uma meia-dúzia de malmequeres, tão
amarelinhos, que às vezes e que tantas vezes
A febre, os vómitos, o
sol
Dentro de um pacote de
chocolate.
(continua…)
11/04/2026, 02:56