11 abril 2026

feliz que partiste, e foste a árvore

feliz que partiste, e foste a árvore

e me disseste que se eu o quisesse

podias ser um pássaro, ou um peixinho

voando, voando

tão firme e baixinho

que se eu naquele momento tivesse

as asas de voar, eu que te voava

na curva mais próxima do meu acordar

 

se sonhar eu que te sonhava, e de o fazer o deixei

porque tu me disseste que se eu o quisesse

pássaro, peixinho, ou até, quem o souber

eu sem o saber, que voava, que amei e que me ergui

daquele negro vento, da rua onde vivi

e que lá sofri

e que o poderia ser

sem o chorar e sem o sofrer e foi lá que ganhei

 

outras asas para o vencer, o tempo é a escuridão

profunda, bem lá no fundo do infinito desejar

ter, ou não a ter, sabendo que aquele negro vento, que às vezes é o sentir

sem o saber

ou sem o ter

ou a vontade de partir

e comigo levar

este verso, e o medo de sorrir

 

11/04/2206, 07:26