feliz que partiste, e
foste a árvore
e me disseste que se eu o
quisesse
podias ser um pássaro, ou
um peixinho
voando, voando
tão firme e baixinho
que se eu naquele momento
tivesse
as asas de voar, eu que
te voava
na curva mais próxima do
meu acordar
se sonhar eu que te
sonhava, e de o fazer o deixei
porque tu me disseste que
se eu o quisesse
pássaro, peixinho, ou
até, quem o souber
eu sem o saber, que
voava, que amei e que me ergui
daquele negro vento, da
rua onde vivi
e que lá sofri
e que o poderia ser
sem o chorar e sem o
sofrer e foi lá que ganhei
outras asas para o
vencer, o tempo é a escuridão
profunda, bem lá no fundo
do infinito desejar
ter, ou não a ter,
sabendo que aquele negro vento, que às vezes é o sentir
sem o saber
ou sem o ter
ou a vontade de partir
e comigo levar
este verso, e o medo de
sorrir
11/04/2206, 07:26