Ai as andorinhas que do tempo não sabem o que fazer, e ele cantava esta triste melodia, que tinha trazido da noite anterior, da ponte pedonal em direcção ao universo, simples, mistificado quando uma abelha lhe segredava,
Olha que sim olha que sim
Que sim, olha que sim, a
porta de entrada, quase cega, trôpega e quando se lhe pegava, ouviam-se minúsculos
rangidos, quando os ossos já são papel e quando o papel, arde na escuridão da
colmeia.
O mar revolto estava,
tanto que estava que a Etelvina, descalça, saltou a janela e foi no abraço de
um desconhecido,
Às vezes que eu penso,
E se eu, e se eu fosse no
abraço de um desconhecido, como fez a Etelvina, como fez o João, trinta anos
depois de ter nascido, inventava pequenas quadriculas no térreo chão do parque infantil,
de nome apenas e sem uma única criança em brincadeira.
Se o João soubesse, que
apenas a Etelvina o sabia, que quando regressava a casa, na mochila escondia,
um pedaço de tempo, sem tempo algum e para nada.
Como a vida era dura, para a Etelvina, como a
vida foi dura, para o João,
Não me digas que só hoje
descobriste que a nossa vizinha tem um gato, mais um vê lá
Já tinha poucos, ela, que
Havia vírgulas naqueles
carris que em nada nos levavam, quase que sentíamos a chuva miudinha de uma
chamada telefónica, que o telefone nunca ou quase que nunca acordava, daquele
sono e daquela escuridão, tri trim trim
Sim, olhe que estão aqui
a dizer que a menina Etelvina se afogou hoje muito manhã cedo, na praia dos
triciclos,
Coitadinha, escrevia na
sombra o pobre do João, depois também que mal tem ter ido nos braços do
primeiro pingo de chuva da manhã, que até que eu acreditava que recebia cartas
com listras negras, que eram puro engano e que para mim não o eram, nem o
seriam,
11/04/2026, 12:18
(continua…)