À casa depois da chuva,
que se sentava de pedra em pedra, e que sonhava, quase disfarçado de espuma, se
levantava da terra e corria como um tolo, sabia que
Eu tinha acordado da
sesta que a tarde desenhava no meu corpo, como se eu fosse uma escultura de
vozes semeadas no trigo loiro da alvorada, a Teresa vasculhava nos meus livros
réstios de traços deixados aqui e ali, de quando em quando, suspirava
Ele anda a trair-me só
pode ele nunca escuta aquilo que eu digo…
Ergueu-se da chuva,
sentou-se em cima de um punhado de sombra, e eu comecei a ouvir a sonolência de
uma quase minha ausência de tudo.
Escutava a chuva, e pedia
ao vento que lhe trouxesse a morte, mas o maldito vento, apenas lhe trazia a
escuridão e o desejo de voar sobre o mar, depois havia um barco sempre ancorado
na biblioteca, ela
Não. Ele tem outra só
pode ser.
E o barco às vezes era
cinzento, depois descia a janela e quando poisava a âncora em cimento firme, os
seus olhos eram azuis e o seu corpo quase que de um encarnado mais parecendo,
Desculpa? Eu tenho outra,
outra quê?
Sabia que um dia tinha de
partir, sabia que um dia tinha de deixar tudo, tudo
Olha, um poema dentro
deste livro,
E tudo também pertencia
em fazer acontecer, que a cada dia que acorda o sono, outro sono se deita,
sobre o vento.
manhã ao acordar,
que te escreve no seio a
ventura de os beijar, que te pincela o corpo de desejar, que te escreve no
olhar.
que te quer a cada noite,
mesmo sem luar,
que te desenha nos lábios
o beijo, que te toca, e sente
a primavera de um abraço
nas primeiras palavras do mar.
que te olha, e se
pergunta, o que dizem os teus olhos,
que te escreve no
silêncio, que te poema, que te sonha,
mesmo não sonhando, que
te inventa na cama, enquanto da lua descem as maresias na mão da neblina.
que já foi menino, também
menina, que foi poesia numa tarde junto ao rio, que te quer,
que te escreve, que te dá
o luar e te é amar,
o que dizem os teus olhos
que se pergunta…
a cada manhã ao acordar.
Acendeu um cigarro.
Olhava pela janela da varanda os carros que vinham e os carros que iam, de vez
em quando, olhava o aquário, e entre baforadas de pequenos silêncios,
perguntava-se,
Partir e o que levaria
apenas; um livro? Um pequeno poema?
Ou partiria apenas de mão
vazias tal como tinha nascido, um dia, enquanto acordava o dia.
Ao outro dia deixaram de
avistar o Artur e apenas o vento a sua falta sentia…
E pedia ao vento que lhe
trouxesse a morte, mas o maldito vento, apenas lhe trazia a escuridão e o
desejo de voar sobre o mar, depois havia um barco sempre ancorado na
biblioteca.
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