13 janeiro 2026

as lágrimas do mar

era quase uma aldeia vestida de purpura encantada, foi talvez um dia, no perdido dia

que a cada nova madrugada, ele, ele e o dia, sentiam, ele mais que o sentia

o fio da navalha, poisada no peito

 

e sempre que chovia, havia

sobre a mesa uma outra aldeia, que ardia

e que também sabia, que um dia

ele e a antiga aldeia, ele mais que o sabia

eram as palavras que alimentavam a fogueira

 

enquanto a terra rodopia, e ele e a aldeia, ele mais que o sabia

morriam depois de acordar o luar, e muito depois

talvez além-mar, o perigo do fogo, e o sorriso do teu olhar

que a aldeia que ardia, e que o meu corpo também ardia

eram só as lágrimas do mar.

 

13/01/2026, 04:35

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