quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Corpo sofrido

 

Das fragas selvagens da vida cansada,

Sentadas na sombra infinita do luar,

Às fragas invisíveis desta madrugada,

Agachadas junto ao mar.

 

Dos limites incompreendidos do anoitecer,

Quando um menino sentado à lareira,

Não se cansa de escrever,

Escrever à sua maneira.

 

Ele, só, semeia as palavras da alvorada,

Dentro das nuvens em vidro adormecido.

São canções à desgarrada,

 

São canções de amar,

Amar o corpo sofrido,

Sofrido antes de falar.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 4/11/2021

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