quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Equação em movimento

 

Nesta equação em movimento

Dentro deste espaço desorganizado

Nesta caixa multibanco

Saltitante

Desta rua sem nome,

Desta pedra o alimento

Das veias ao corpo crucificado

Correndo descalço na equação me sento

Às sílabas a palavra andante

Que o meu corpo ausente,

Não vê nem sente,

O pão da fome.

 

Nesta cidade vaidosa

Com ruas rendilhadas

Porque a equação em movimento,

Triste e nua,

Quando voa na sombra das esplanadas

Escreve na mão o mar

Depois de comer a lua,

Sem perceber que da mão oleosa,

As palavras da equação

São números letras sombras… poesia.

Dentro do coração

Vive o poeta equação

Que nem sequer sabia

Que a razão

Entre o seno

E o co-seno

Se chama tangente;

A tangente da paixão.

 

Que duas rosas plantei

Num qualquer caderno quadriculado,

Duas rosas amei,

Por duas rosas chorei;

O papel semeado.

 

Desta pedra o alimento

Das veias ao corpo crucificado

Correndo descalço na equação me sento,

 

Correndo descalço na equação sou enforcado.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 08/09/2021

Sem comentários:

Enviar um comentário