sábado, 15 de junho de 2013

Suspensos do amanhecer

foto: A&M ART and Photos

Tinhas-me inventado com palavras de vento
abríamos as janelas da imensidão suspensa no amanhecer
sofrendo-nos como às portas em versos poeirentos
velho cansado sofrimento
em ti me recusava escrever
sabendo eu que padeces perdida no centro dos inesquecíveis momentos,

Havíamos concedido imagens dos troncos sangrentos
pedacinhos em madeira adormecida
tínhamos vontades sofridas
como nas gargantas sílabas dos textos em divãs de areia
sobre uma paisagem imaginada por loucas rochas escaldantes
esmigalhados tormentos vivendo-se entre cidades e campos,

Tinhas-me inventado... de vento
como sandálias de cortiça pedestres em caminhos sem saída
sonhos presos aos tectos circunflexos por medida
e abríamos os socalcos da montanha mórbida em línguas gasosas do desejo alento
assento sobre a palavra derretida
havíamos inventado o tempo e os cardumes assassinos perdidamente arrolados...

(não revisto)
@Francisco Luís Fontinha

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