sábado, 30 de março de 2013

Habitar de mim em ti

foto: A&M ART and Photos

Habitas nos fantasmas candeeiros de porcelana
e não saberás nunca
o nome verdadeiro do ciúme nocturno
habitas e desfazes-te em sorrisos de areia
habitas nos corpos poisados sobre os cais de madeira,

Habitas dentro do prazer
como as abelhas mergulham no pólen da madrugada
habitas na saudade
e nas ervas miúdas que brincam nos quintais de papel
à beira-mar,

Um livro eterno submerso nas lágrimas do céu da boca
e tu habitas no transformismo das palavras mortas
pelas línguas de prata
como uma pirâmide escondida no deserto
com os braços alicerçados aos lábios do desejo,

Habitas no meu corpo
desarrumado
e cansado
habitas nos textos que escrevo
e nos poemas com as palavras prisioneiras na húmida térrea,

Habitas fingindo que sonhas no meu peito
corres e corres e corres pelo corredor do silêncio
como se fosses uma criança sem nome
ou uma flor sem cor
ou... uma mulher de sombras que habita nos túneis da solidão...

(não revisto)
@Francisco Luís Fontinha

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