29 setembro 2026

A última porta da chuva

16:19


Deixei de sentir 

o sorriso da 

última porta da chuva, 

deixei 

de pertencer ao vento 

e à loucura, de caminhar 

sobre o mar, 

deixei de compreender o fogo 

e a noite, e o amar,

deixei de sonhar,

e o beijar da palavra 

no clarim da caneta, 

na morte 

da alvorada.


Deixei de desenhar 

a lua no canto da boca, 

deixei a terra, 

a mulher e os filhos, 

no abandono, na miséria,

deixei de escrever 

palavras bonitas, 

em flor de pétala 

adormecida,

deixei de comer, 

que desperdício 

no comer, tudo

enquanto 

tudo 

está a arder.


29/09

16:29

Na cabeça, da gente

Cada rua é uma charrua

na alma da gente,

eu,

que já duvido se,

se sou gente,

apenas vento

ou,

apenas,

lama disfarçada,

de gente.

 

Mas a gente

vai andando,

sem medo, sem,

sem pressa,

e acima de tudo,

de cabeça,

erguida.

 

Cada rua é uma charrua

na alma da gente,

que sente,

a mão

de tanta outra gente,

mas há gente, cruel,

que não

tem pejo nem dente

para foderem, a vida, da gente.

E é isto,

o corpo da gente.

Ruas

e ruas e gente,

gente doente, gente

que

mente,

e gente

que já não sente,

o sorriso,

da gente.

Que gente.

Esta gente.

 

 

29/09
05:14

WHAT KIND OF FOOL - BARBRA STREISAND [+] BARRY GIBB

28 setembro 2026

Imaginação

Na cânfora imaginação,

imaginar uma serpente dentro,

do pão

e dentro da serpente,

mil pães em viagem,

mil barcos quase ferrugem, quase

uma virgem,

imagem.

 

E dos barcos vão

nascer flores,

depois vão à escola,

e depois,

quem o sabe,

serão,

doutores.

 

Mil cadernos eu escrevi,

pensava eu, que a laminagem da paixão era o pincelar do céu, na mão, do cego,

mas não o é, e também eu, não o sei.

 

E quanto ao cego,

ele também não se interessa,

nem da paixão,

nem do pão,

nem da mão, e de tudo que rime, com, ão,

apenas,

e só

ouvir o silêncio

de um orgasmo de luz,

sobre o corpo do fotão.

 

28/09
21:56

Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar (...)

 

Jorge Palma

Não sei mais amar as flores do teu olhar, no entanto, amo as flores do teu olhar.