16:19
Deixei de sentir
o sorriso da
última porta da chuva,
deixei
de pertencer ao vento
e à loucura, de caminhar
sobre o mar,
deixei de compreender o fogo
e a noite, e o amar,
deixei de sonhar,
e o beijar da palavra
no clarim da caneta,
na morte
da alvorada.
Deixei de desenhar
a lua no canto da boca,
deixei a terra,
a mulher e os filhos,
no abandono, na miséria,
deixei de escrever
palavras bonitas,
em flor de pétala
adormecida,
deixei de comer,
que desperdício
no comer, tudo
enquanto
tudo
está a arder.
29/09
16:29