Chovia quando o orgasmo
sitiado na mão da esperança, a lança que balança, e que me retalha na penumbra,
e da alegria
o sentido
o telintar e só
o garfo e a colher e a
faca dentro do livro, o sofrido
o armazém em lágrimas,
que arde e que engana a fome como os raios de luz desenhados pela mãe abelha,
doida, tão pequena
como as algemas da orquídea
tanta as vezes
de cada vez
que alguém morre na
esplanada de um olhar
Não era dia e que nunca
foi a noite, que depois quase sempre na euforia do beijo e da muralha, e na
vertigem e no olhar
e da origem a razão
inversa da sinfonia e na
dinastia e na mão
e do pé a bota
amortalhada
tão o vulgar
a sua mão
e a sua morada
Eu serei o que chovia, o
que de mim restou?
Palavras, enxadas, rios e
os seios das namoradas, o vento no fogo e da uva o suor do teu corpo, a
migalha, na minha boca a gotícula
na fogueira de uma árvore
mil enguias secretas são
a boca dos teus seios, nas janelas abertas
das trinta e cinco
madrugadas, em pequenas drageias
sempre, sempre no deitar
sabendo então a serpente
o nome daquele rastejo, porque sempre que chovia
caiam sobre a mesa as
magas que sobraram
do ontem e da pequena
esfera de lítio em poesia
Poesia no milagre, no
acordar, na morte, na separação do corpo
da equação e na
quadricula
quando o círculo é uma
avestruz
na janela
da porta
entre moedas de cêntimo,
e rolos de higiénico papel
onde às vezes escreve,
onde tantas vezes
o cu limpa, e do cu
nasce a alvorada de uma
lágrima, na lírica e música de uma espada, simples
bem-vindos
ao pôr-do-sol abstracto,
o azul milagre de estar
e de o ser
O caixão quadrado, o
bicudo pénis em brasa, o ferro incandescente
no olhar da forja
e o ferreiro e o padeiro
e o engenheiro
e o poeta
e até o santeiro
do senhor do senhor
sem o S
em dor
E que tanto que chovia na
vagina flor da tua mão,
meu amor
a alvenaria, sofria,
sentia
o malmequer de um
açafrão, em verso, no
dorso pincelado de uma purga invisível, dentro da maré
no dedo, o anel e a libra
em fatias de sono, em sombras e gradeamentos sentados
à lareira,
na horta e na vinha
nas simples
e complexas distracções
de,
do mussulo em lágrimas.
01/07
20:09