01 agosto 2026

Chovia quando o orgasmo sitiado na mão da esperança

Chovia quando o orgasmo sitiado na mão da esperança, a lança que balança, e que me retalha na penumbra, e da alegria

o sentido

o telintar e só

o garfo e a colher e a faca dentro do livro, o sofrido

o armazém em lágrimas, que arde e que engana a fome como os raios de luz desenhados pela mãe abelha, doida, tão pequena

como as algemas da orquídea

tanta as vezes

de cada vez

que alguém morre na esplanada de um olhar

 

Não era dia e que nunca foi a noite, que depois quase sempre na euforia do beijo e da muralha, e na vertigem e no olhar

e da origem a razão inversa da sinfonia e na

dinastia e na mão

e do pé a bota amortalhada

tão o vulgar

a sua mão

e a sua morada

 

Eu serei o que chovia, o que de mim restou?

Palavras, enxadas, rios e os seios das namoradas, o vento no fogo e da uva o suor do teu corpo, a migalha, na minha boca a gotícula

na fogueira de uma árvore

mil enguias secretas são a boca dos teus seios, nas janelas abertas

das trinta e cinco madrugadas, em pequenas drageias

sempre, sempre no deitar

sabendo então a serpente o nome daquele rastejo, porque sempre que chovia

caiam sobre a mesa as magas que sobraram

do ontem e da pequena esfera de lítio em poesia

 

Poesia no milagre, no acordar, na morte, na separação do corpo

da equação e na quadricula

quando o círculo é uma avestruz

na janela

da porta

entre moedas de cêntimo, e rolos de higiénico papel

onde às vezes escreve, onde tantas vezes

o cu limpa, e do cu

nasce a alvorada de uma lágrima, na lírica e música de uma espada, simples

bem-vindos

ao pôr-do-sol abstracto, o azul milagre de estar

e de o ser

 

O caixão quadrado, o bicudo pénis em brasa, o ferro incandescente

no olhar da forja

e o ferreiro e o padeiro

e o engenheiro

e o poeta

e até o santeiro

do senhor do senhor

sem o S

em dor

 

E que tanto que chovia na vagina flor da tua mão,

meu amor

a alvenaria, sofria, sentia

o malmequer de um

açafrão, em verso, no dorso pincelado de uma purga invisível, dentro da maré

no dedo, o anel e a libra em fatias de sono, em sombras e gradeamentos sentados

à lareira,

na horta e na vinha

nas simples

e complexas distracções de,

 

do mussulo em lágrimas.

 

01/07
20:09