Éramos comestíveis como
as ervas junto à ribeira
e tínhamos nas mãos o
sabor do cansaço
e da dor oferecida pelo
mendigo entardecer,
Éramos dois corpos voando
sobre a cidade dos Deuses
ancorávamos algumas vezes
sobre as árvores em
delírio que sobejavam das finas lareiras do desejo...
e sonhávamos com
porcelanas beijos
que viviam na madrugada,
Éramos comestíveis como
as ervas junto à ribeira
e tínhamos um coração de
papel
onde escrevíamos as
palavras em segredo,
Gritávamos como os
pássaros
e amávamos como as ervas
comestíveis...
éramos dois círculos de
vidro
em osciladas rotações em
cima dos barcos enferrujados
éramos e tínhamos um cais
em madeira para aportarmos...
vivíamos construindo o
amor com pequenos paus espalhados pela floresta
e quando nos sentávamos
debaixo da nuvens cinzenta
sentia-te nos meus braços
de sisal...
éramos o mar com a areia
branca
e de ondas navegantes...
e de lábios cor de amêndoa.