31 julho 2026

O adeus

O prego satisfaz a mão

na verde seara que a madeira veste

cada atalho

e depois sabemos que a luz

sabe e deseja

a maré agreste

que às vezes

é a despedida

e o adeus.

 

O prego se diverte

na cantiga escrita na terra vandalizada

porque o sol tem janelas de iodo

e nos olhos há tungsténio quase lixo

a rua será tanta gente

que gente

esta

sempre contente

sempre a ordeira

ordeira gente.

 

E partiu-se a cadeira asfaltada

na solidão da roseira

até que a vírgula

pega com a mão

a caneta assassina

e ao descair a noite

lambe-a

a pétala envergonhada do pôr-do-sol

e o prego lá fica

entalado numa qualquer frincha da

madeira.

 

31/07
22:34