13 maio 2026

Da luz do mar

Não terminou ainda a luz do mar que eu não tenho nem viver

Se vivendo eu o quisesse

E temesse ser a corda da última forca

Ou a bala disparada


A carta recebida

Não terminou ainda a luz do mar que eu não tenho nem viver o sentir

Despido e que hoje é dia de uma fotografia

Não terminou


O fogo e o sentir do outro relógio amputado e não mais acreditar no silêncio

Que a escuridão do mar é quase a mesma coisa do que a razão

E o que sobrou?

Da luz do mar...


Francisco

13/05

19:18

naquela tarde

naquela tarde, o resplendor da chuva

daquela e naquela tarde, que vivíamos entre olhares

que sentíamos o silêncio perpendicular de uma viga alveolar

que dizíamos que subíamos e que descíamos

da lua para a terra, e da terra para a lua

 

naquela tarde, a voz disfarçada de madrugada

quando apenas ainda era de tarde, daquela tarde

depois também desenhávamos a espuma do desejo

coberta de magnólias e de diamantes

como se fossem os vampiros daquela tarde

 

mas aquela tarde morreu nessa tarde, como tudo morre

e ainda bem que existe a morte

daquela tarde ficou uma pétala de rosa dentro de um livro

de tão seca que está, de tão velha em o ser

que já nada resta daquela tarde, nem a chuva daquela tarde.

 

Francisco

13/05
18:57

Certamente

Certamente na seguinte manhã ele acordará

Certamente, que ele o sente

O sono submerso na espuma do adeus

A sonolência, a vaidade da pobreza

Sente-o

E o sabe

Em cada pedra lançada pelo universo,

 

Certamente na seguinte manhã ele morrerá

Vestido de púrpura madrugada, sabendo-o, ele

Que o vaiado sino da aldeia é uma vírgula sem nome

Em fome

Na cama deitado,

 

Na cama envenenado com água e açúcar, o tédio, o milagre da alma

Despida e depois vendida e revendida ao desbarato, como se fosse um simples ramo de flores para oferecer ao santíssimo,

 

Santíssimo desejo de vergar um pedaço de aço, abraço

Abraçado ao destino de um senhor agricultor semeando palavras na terra lavrada pela água,

Eu que o sinto, eu que o observo, sei

Sei que um dia o pobre será alegre, e o rico um pedaço de merda

Sentado à lareira,

 

Certamente na seguinte manhã ele acordará.

Certamente na seguinte manhã ele morrerá.

 

Francisco

13/05

12 maio 2026

Um pássaro sem asas, voar certamente não voará,

E sonhar, será que um pássaro sem asas consegue sonhar?

Será que um pássaro sem asas é amado e sabe amar?

Será?

Capitalista de merda

Mete o dinheiro no cu

Dá dinheiro ao operário

Que trabalha mais do que tu

 

Vai o enterro a passar

Foi a filha do operário

Que morreu a trabalhar

 

Assim se vê a força do PC, Assim se vê a força do PC, Assim se vê a força do PC…

 

Augusto Saúl (Leirão)


Brinca, brinca, que ainda te fodes, já assim dizia o velho Herodes,  mas como o velho Herodes já morreu, quem te fode sou eu.


(Frase escrita no livro de matemática do 11 ano por Carlos Alonso).