13 maio 2026

naquela tarde

naquela tarde, o resplendor da chuva

daquela e naquela tarde, que vivíamos entre olhares

que sentíamos o silêncio perpendicular de uma viga alveolar

que dizíamos que subíamos e que descíamos

da lua para a terra, e da terra para a lua

 

naquela tarde, a voz disfarçada de madrugada

quando apenas ainda era de tarde, daquela tarde

depois também desenhávamos a espuma do desejo

coberta de magnólias e de diamantes

como se fossem os vampiros daquela tarde

 

mas aquela tarde morreu nessa tarde, como tudo morre

e ainda bem que existe a morte

daquela tarde ficou uma pétala de rosa dentro de um livro

de tão seca que está, de tão velha em o ser

que já nada resta daquela tarde, nem a chuva daquela tarde.

 

Francisco

13/05
18:57