naquela tarde, o
resplendor da chuva
daquela e naquela tarde,
que vivíamos entre olhares
que sentíamos o silêncio
perpendicular de uma viga alveolar
que dizíamos que subíamos
e que descíamos
da lua para a terra, e da
terra para a lua
naquela tarde, a voz
disfarçada de madrugada
quando apenas ainda era
de tarde, daquela tarde
depois também
desenhávamos a espuma do desejo
coberta de magnólias e de
diamantes
como se fossem os
vampiros daquela tarde
mas aquela tarde morreu
nessa tarde, como tudo morre
e ainda bem que existe a
morte
daquela tarde ficou uma
pétala de rosa dentro de um livro
de tão seca que está, de
tão velha em o ser
que já nada resta daquela
tarde, nem a chuva daquela tarde.
Francisco
13/05
18:57