Certamente na seguinte
manhã ele acordará
Certamente, que ele o
sente
O sono submerso na espuma
do adeus
A sonolência, a vaidade
da pobreza
Sente-o
E o sabe
Em cada pedra lançada
pelo universo,
Certamente na seguinte
manhã ele morrerá
Vestido de púrpura
madrugada, sabendo-o, ele
Que o vaiado sino da
aldeia é uma vírgula sem nome
Em fome
Na cama deitado,
Na cama envenenado com
água e açúcar, o tédio, o milagre da alma
Despida e depois vendida
e revendida ao desbarato, como se fosse um simples ramo de flores para oferecer
ao santíssimo,
Santíssimo desejo de
vergar um pedaço de aço, abraço
Abraçado ao destino de um
senhor agricultor semeando palavras na terra lavrada pela água,
Eu que o sinto, eu que o
observo, sei
Sei que um dia o pobre
será alegre, e o rico um pedaço de merda
Sentado à lareira,
Certamente na seguinte
manhã ele acordará.
Certamente na seguinte
manhã ele morrerá.
Francisco
13/05