Um pássaro sem asas, voar
certamente não voará,
E sonhar, será que um
pássaro sem asas consegue sonhar?
Será que um pássaro sem
asas é amado e sabe amar?
Será?
Na sombra de um azul eu
espero o sono
Da boca do encarnado eu
retiro o cio
E o semeio
No sexo do castanho,
Ao cor-de-rosa pertence a
vagina
E que é tão bom o amarelo
branco do esperma sobre a pele
Quando o azul em sombra
me traz o sono
E a vontade de ser apenas
o negro ou o lilás da serpente,
O verde na espuma
cinzenta de um seio em lágrimas
O encarnado às turras com
o verde-alface da vizinha do terceiro esquerdo
E a boca do encarnado
lambe-a,
Na sombra de um azul eu
espero o sono
A flor de pétalas
coloridas escorrega e cai e quebra a janela dos testículos
Ouve-se o silêncio do círculo
de Mohr
E agora sim a tela está
uma bela merda.
Francisco
11/05
19:04
Aos dias aflitos, uma
salva de palmas
Aos falsos amigos, uma
salva de palmas
A todos os gajos que
fumam haxixe, uma salva de palmas
A todos os labregos, uma
salva de palmas
Aos pedacinhos de granito
que nunca serão diamante, uma salva de palmas
Ao Cu de Judas de A. Lobo
Antunes, uma salva de palmas
Ao pilau, uma salva de
palmas
……………….
era o sítio mais lindo do meu silêncio sítio
Era a noite mais alegre e
mais bela do circo
Era a rua mais florida da
aldeia
Era a casa mais azul do
azul e mar e céu
Era a montanha mais alta
do planeta terra
Era o poema mais belo dos
poemas de inverno
Era o frio mais frio do
que o frio do rio
Era a boca mais
aparvalhada de todas as aparvalhadas bocas
E era a mais estúpida das
estátuas que às vezes se fazia
E fazia-se de estátua.
Estou curioso, Gunter
Grass.
Curioso.
Francisco
11/05
18:46