12 maio 2026

Um pássaro sem asas, voar certamente não voará,

E sonhar, será que um pássaro sem asas consegue sonhar?

Será que um pássaro sem asas é amado e sabe amar?

Será?

Capitalista de merda

Mete o dinheiro no cu

Dá dinheiro ao operário

Que trabalha mais do que tu

 

Vai o enterro a passar

Foi a filha do operário

Que morreu a trabalhar

 

Assim se vê a força do PC, Assim se vê a força do PC, Assim se vê a força do PC…

 

Augusto Saúl (Leirão)


Brinca, brinca, que ainda te fodes, já assim dizia o velho Herodes,  mas como o velho Herodes já morreu, quem te fode sou eu.


(Frase escrita no livro de matemática do 11 ano por Carlos Alonso).

11 maio 2026

Na sombra de um azul eu espero o sono

Na sombra de um azul eu espero o sono

Da boca do encarnado eu retiro o cio

E o semeio

No sexo do castanho,

 

Ao cor-de-rosa pertence a vagina

E que é tão bom o amarelo branco do esperma sobre a pele

Quando o azul em sombra me traz o sono

E a vontade de ser apenas o negro ou o lilás da serpente,

 

O verde na espuma cinzenta de um seio em lágrimas

O encarnado às turras com o verde-alface da vizinha do terceiro esquerdo

E a boca do encarnado lambe-a,

 

Na sombra de um azul eu espero o sono

A flor de pétalas coloridas escorrega e cai e quebra a janela dos testículos

Ouve-se o silêncio do círculo de Mohr  

E agora sim a tela está uma bela merda.

 

Francisco

11/05
19:04

Aos dias aflitos, uma salva de palmas

Aos falsos amigos, uma salva de palmas

A todos os gajos que fumam haxixe, uma salva de palmas

A todos os labregos, uma salva de palmas

Aos pedacinhos de granito que nunca serão diamante, uma salva de palmas

Ao Cu de Judas de A. Lobo Antunes, uma salva de palmas

Ao pilau, uma salva de palmas

 

……………….

era o sítio mais lindo do meu silêncio sítio

Era a noite mais alegre e mais bela do circo

Era a rua mais florida da aldeia

Era a casa mais azul do azul e mar e céu

Era a montanha mais alta do planeta terra

Era o poema mais belo dos poemas de inverno

Era o frio mais frio do que o frio do rio

Era a boca mais aparvalhada de todas as aparvalhadas bocas

 

E era a mais estúpida das estátuas que às vezes se fazia

 

E fazia-se de estátua.

Estou curioso, Gunter Grass.

Curioso.

 

Francisco

11/05
18:46

Leituras