12 outubro 2026

Desejar-te

Desejar-te

transforma-se num mero

exercício de metafisica,

há janelas que se fecham,

para sempre (querer-te e ter-te e amar-te),

portas,

que se abrem,

aos poucos,

sonhar é apenas e só,

uma imagem distorcida do ser,

e de ter,

a pele camuflada

de sílabas assassinas,

que em nada e nunca,

poderão ser,

e desejar-te.

 

Desejar-te,

nunca mais.

Prefiro resolver mil equações

diferenciais a,

sonhar-te.

A ter-te,

nos meus

braços,

cada vez,

mais frágeis,

e cada vez,

mais sós,

e já nada faz sentido,

sentir o teu olhar.

 

12/10
13:58

Círculo lunar da solidão

(para ti)

 

Dentro do sangue,

dentro do círculo lunar

da solidão,

dentro do obscuro sangue,

a terra mãe rodeada de trevo

e de desejos, em delírio e em vão,

dentro do sangue

a pirâmide trigonométrica da

paixão,

e de amar-te

no silêncio dos pássaros,

a cor dos teus seios,

o engano da minha voz,

dentro do sangue,

a maré menstrual da luz,

quase chuva,

nos teus lábios,

meu amor.

 

12/10
09:40

Ribadouro

A fisga

A fisga apertava na mão, errada.

O grito é sentido

pedindo à distância que o ausente

e envergonhado,

o soldado,

o faz-tudo da localização exacta

e além-mar na última porta do oceano,

tenha no luar uma vírgula lunar

e nocturna aventura,

nos lábios do vento.

 

E ele o sabia.

Na dispensa do coração ele,

o soldado, ele escondia a solução

e a solidão de um pequeno

grão de arroz,

tão pequeno como a fogueira do silêncio,

e tão pequeno,

como o último poema que escreveu,

que apenas teve no tempo,

o tempo,

e foi ao encontro da nova madrugada.

 

Mas a fisga que a mão

lhe apertava,

mas a mão

que ao longe lhe acenava,

lhe pedindo,

lhe exigindo,

que o relógio escondido no

alçapão do medo,

acordasse de uma só voz,

e olhou a geometria dos tees,

e pensou; o que fazer, a isto.

Isto,

sentindo o milhafre doente.

 

12/10
04:57

11 outubro 2026

Vadio sono

Morreu na estrada acreditando que o vadio sono era a companhia de uma noite, mas a noite suicidou-se na mão de uma caneta, e o senhor das entregas, enganou-se na noite, e foi rezar, pela manhã a outra capela, do outro lado da página.

 

Morreu sem deixar estrada caminhada quando a chuva lhe dizia, calma, calma,

E uma árvore, ao longe, também ela,

Calma, calma,

Tanta era a calma que o areal se transformou em mil cantigas, e que de todo o mar, regressavam as caravelas vindas de outras vaginas.

 

Morreu. Morreu sem carta escrita nem morada conhecida, nem outro destino da origem da limitação do presépio, que tinha sido, o último, da primavera de ontem. A alegria era pouca, e cada Rei Mago, uma pechincha na mão, três panfletos por vinte a dividir pela esquadria do clitóris, quase em sintonia e em agonia,

 

Ele morreu de tristeza.

 

11/10
22:06