12 outubro 2026

A fisga

A fisga apertava na mão, errada.

O grito é sentido

pedindo à distância que o ausente

e envergonhado,

o soldado,

o faz-tudo da localização exacta

e além-mar na última porta do oceano,

tenha no luar uma vírgula lunar

e nocturna aventura,

nos lábios do vento.

 

E ele o sabia.

Na dispensa do coração ele,

o soldado, ele escondia a solução

e a solidão de um pequeno

grão de arroz,

tão pequeno como a fogueira do silêncio,

e tão pequeno,

como o último poema que escreveu,

que apenas teve no tempo,

o tempo,

e foi ao encontro da nova madrugada.

 

Mas a fisga que a mão

lhe apertava,

mas a mão

que ao longe lhe acenava,

lhe pedindo,

lhe exigindo,

que o relógio escondido no

alçapão do medo,

acordasse de uma só voz,

e olhou a geometria dos tees,

e pensou; o que fazer, a isto.

Isto,

sentindo o milhafre doente.

 

12/10
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