11 junho 2026

Às voltas com a roda anda

Às voltas com a roda anda

A roda, que às vezes é dentada

Que outras tantas vezes, não é nada

Que cada parafuso apertado

É alegria no convento

Que cada flor envenenada

É a metáfora da primeira lágrima

Às voltas no rosto da gruta

À roda com a roda

Há chuva na eira

Às voltas com a roda

A roda que nem sempre roda

Que cada lágrima chorada

É uma luz apagada

É

São

Meia-dúzia de laranjas

Meia-grande com cerejas

Gosto de laranjas

E odeio cerejas

E rodas dentadas

À roda com a roda

A roda, que às vezes roda

Que outras tantas vezes não quer rodar

A roda

E um dia a roda vai parar

 

11/06
01:19

Três espadas cravadas no peito sentindo

Três espadas cravadas no peito sentindo

O frio ardente da dor

Três espadas sangrando, a deus pedindo

Luz e cor

 

E o peito do homem sofrendo

Em ferida nuvem no silenciar nocturno infernal

Há estrelas no céu chorando

E da terra pedras são vestidas de mal

 

Três espadas sentidas

Na pele difusa do olhar

E o corpo, coitado, com muitas feridas

E uma enorme vontade de voar

 

11/06
00:01

10 junho 2026

Está morto o verso, aliás

Está morto o verso, aliás

Quase tudo em mim, morreu

Morreu

Está morto o verso, tão morto

 

E tão o é no reverso céu

Da tempestade semeada pela mão, morto está

Este verso ainda sem nome, crucificado pelo lado esquerdo

Do quadrado, e o inverso

Que tão morto está este verso

 

Está morto o verso, e não converso

Nem com o verso

Nem com o universo

Eu morto, morto está este verso

 

10/06
21:15

Adeus

A viagem, ir

A levitação do sonho, então como eram as árvores daquele

Jardim

Que esqueci

Que te vi

 

Então, o meu nome

O número mecanográfico que me deram, tanto faz

Se

Vou caminhando sobre as pedras

Que te vi

 

A vingança de ti a estou a sentir, no corpo e não

Até que todas as árvores que o eram então

Livres, e amadas

Nas florestas do adeus

Adeus

 

10/06
21:08

Um não

Tão

Que são

E não

Senão

 

A mão

Tão

Não

São

O pão

 

A mão

O não

O pão

O coração

Crucificação

 

Não

 

Então?

 

10/06

Fotografia

Navego, e tenho

E sinto e trago na mão

O lenho

Do meu defeituoso coração

 

Se este barco soubesse, para onde caminhar

Se este barco soubesse sair da tempestade

Se este barco começasse a andar

No meio da cidade

 

Navego e tenho e não sei

A que mar pertenci

Porque o mar que eu sonhei

 

Não é mais o mar

É apenas uma fotografia que eu esqueci

De quando eu ainda sabia sonhar.

 

10/06
19:20

Esfinge

A sensação de estar morto, te olhando 

Vulgarmente sentindo o meu sofrendo, te olhando 

E eu pertencia à esfinge do mar 

E que hoje não tenho nem o mar 


Muito menos te olhando, mas a noite que voou desenhar na cabeça da chuva 

Pertence ao tic-tac do relógio que também morreu 

E que hoje é o dia disfarçado de céu 

E que hoje é quase gelo na minha cama 


10/06

17:26