11 junho 2026

Às voltas com a roda anda

Às voltas com a roda anda

A roda, que às vezes é dentada

Que outras tantas vezes, não é nada

Que cada parafuso apertado

É alegria no convento

Que cada flor envenenada

É a metáfora da primeira lágrima

Às voltas no rosto da gruta

À roda com a roda

Há chuva na eira

Às voltas com a roda

A roda que nem sempre roda

Que cada lágrima chorada

É uma luz apagada

É

São

Meia-dúzia de laranjas

Meia-grande com cerejas

Gosto de laranjas

E odeio cerejas

E rodas dentadas

À roda com a roda

A roda, que às vezes roda

Que outras tantas vezes não quer rodar

A roda

E um dia a roda vai parar

 

11/06
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