11 junho 2026

Aqui vamos nós em direcção ao pôr-do-sol, sitiados, estamos nós os alardos

Aqui vamos nós em direcção ao pôr-do-sol, sitiados, estamos nós os alardos

Que antes de serem soldados, foram drogados

E foram fodidos pela escuridão da noite

Vestiam-se de gaiatos porque gaiatos o eram, tal como a calçada

Descalça, cansada

Às vezes ouvia-se o tiro de uma espingarda, talvez um soldado acabadinho de dar um tiro na cornadura, e zás

 

O açúcar brincava sobre a toalha, os miolos liam qualquer coisa de pouca coisa que existia naquela tarde de frio, o calor

O suor, o frio, o corpo rangia

O poema crescia, o tesão era cada vez mais, até que

Zás

 

E,

E o que dizer da madame da lavandaria que às vezes o sangrento fodia, e ela gemia, e ela

 

E zás

Capaz de engolir todo o açúcar da mesa agora desesperada, a navalha

A navalha em brincadeira com uma pequena côdea de pão, e ão

Descia o tesão ao rés-do-chão, e fazia-se dia

 

Dia

 

O cacilheiro, vaiado, também como a madame, gemia, ai que ele gemia

E se energia sobre as amoradas da sorte, o guarda-chuva azul, contorcia-se

Sentia também o frio da tarde, quase verão que o era, e no entanto

Nasci em Janeiro, em pleno verão

Coisa louca, coisa louca,

Nascer em Janeiro a um domingo e com a temperatura a mais de trinta graus celsius, porque se fosse fahrenheit,

Bom,

Esquecemos

 

Esquecemos tudo.

Sinceramente, que se foda isto tudo. É o que é.

Uma jangada de pedra, razão tinha-a ele.

Ele.

 

11/06
21:48