Se o teu olhar escrevesse no meu olhar,
Amo-te
Se o teu olhar escrevesse
no meu olhar
Desejo-te
Se o teu olhar escrevesse
no meu olhar
Quero-te
Mas o teu olhar ainda não
aprendeu, a escrever, no meu olhar…
Há dentro e no cento de
mim que sentado me sinto, cansado
Uma pedra pincelada com
as amoreiras do amanhecer, o ter
E o ser, há dentro e no
centro de mim sentado me sinto, sentado
Junto ao rio e distante
do rio
Há dentro de mim, um
pequeno cordel, um fio
Descendo até à lavrada
terra e semeada terra e escrita terra
Na enxada e na mão de uma
outra pedra
Sentada, lançada, às
feras da noite
Há dentro de mim e no
cento de mim, há uma pedra
Sem nome, sem nome nem
terra
Na terra disfarçada de
terra
Na terra do nada
Que nunca pertenci e que
não pertenço a esta terra, há
No centro de mim e no
distante de mim
A terra e o olhar da
terra
Na tão distante terra
sagrada
10/06
12:43
O orgasmo sentido,
sentindo o olhar
O olhar temido
O olhar sentido
Sentindo o orgasmo do mar
O orgasmo sentindo,
sentido na espuma do olhar
Mas esse olhar, e esse
orgasmo, sentido e sentindo
O ódio em vez do amar
E do sentido sentindo o
teu olhar na espuma do mar
10/06
10:52
Se eu soubesse que a água
me abraçava, eu me banhava
Se eu soubesse que a lua
me beijava, eu me deitava
E sonhava,
Se eu soubesse a cor do
ódio, eu o pintava
Se eu soubesse o nome do
silêncio da tua voz
Eu o escrevia, e deixava
de saber
Porque o dia não é mais o
dia
Se eu soubesse como te
odiar, eu te odiava
Tanto te odiava,
Se eu soubesse que a água
me abraçava, eu me banhava
E nunca mais te olhava,
E nunca mais te amava.
10/06
01:37
Começo a ficar cansado do
cansaço de estar
Cansado,
Começo a ficar cansado,
de olhar
O cansaço milenar do mar
Mar eu me sinto tão
cansado, em te olhar
Começo a ficar cansado,
da lua
E do luar
Que me cansam, que começo
a ficar cansado, de estar
Cansado de amar.
10/06
01:26
É horrível, frágil
Sentir o estranho, pedir
a um estranho
Viver acreditando
Que cada estranho, não passa
disso
De um estranho
O estranho, estranho é eu
saber que sou um estranho, vivendo neste estranho, que sou eu
Sabendo que a morte, se o
é, pertence ao xisto
E à voz, que semeia na
areia
O som de um estranho, que
coxeia
E que se passeia, na
areia
É horrível, frágil
Ser, e o ter
Sentado, o abstracto
aledo, o medo
Pedir ao destino, um
menino
Com tino, com tino
E com outro destino,
dizendo, porquê?
Se a voz morreu, se os
olhos não são nem estrelas, e estrelas
Como o céu, na voz que
procura a bruma
Maré, sideral, o drama
O drama de uma colmeia
09/06
22:36