10 junho 2026

Se o teu olhar escrevesse no meu olhar,

Amo-te

Se o teu olhar escrevesse no meu olhar

Desejo-te

Se o teu olhar escrevesse no meu olhar

Quero-te

 

Mas o teu olhar ainda não aprendeu, a escrever, no meu olhar…

Terra sagrada

Há dentro e no cento de mim que sentado me sinto, cansado

Uma pedra pincelada com as amoreiras do amanhecer, o ter

E o ser, há dentro e no centro de mim sentado me sinto, sentado

Junto ao rio e distante do rio

 

Há dentro de mim, um pequeno cordel, um fio

Descendo até à lavrada terra e semeada terra e escrita terra

Na enxada e na mão de uma outra pedra

Sentada, lançada, às feras da noite

 

Há dentro de mim e no cento de mim, há uma pedra

Sem nome, sem nome nem terra

Na terra disfarçada de terra

Na terra do nada

 

Que nunca pertenci e que não pertenço a esta terra, há

No centro de mim e no distante de mim

A terra e o olhar da terra

Na tão distante terra sagrada

 

10/06
12:43

O orgasmo sentido, sentindo o olhar

O orgasmo sentido, sentindo o olhar

O olhar temido

O olhar sentido

Sentindo o orgasmo do mar

 

O orgasmo sentindo, sentido na espuma do olhar

Mas esse olhar, e esse orgasmo, sentido e sentindo

O ódio em vez do amar

E do sentido sentindo o teu olhar na espuma do mar

 

10/06
10:52

Odeio-te às terças, quintas e sábados 

Amo-te às segundas, quartas e sextas 


E ao domingo,

Apenas te desejo. 

Se eu soubesse que a água me abraçava, eu me banhava

Se eu soubesse que a água me abraçava, eu me banhava

Se eu soubesse que a lua me beijava, eu me deitava

E sonhava,

 

Se eu soubesse a cor do ódio, eu o pintava

Se eu soubesse o nome do silêncio da tua voz

Eu o escrevia, e deixava de saber

Porque o dia não é mais o dia

Se eu soubesse como te odiar, eu te odiava

Tanto te odiava,

 

Se eu soubesse que a água me abraçava, eu me banhava

E nunca mais te olhava,

 

E nunca mais te amava.

 

10/06
01:37

Cansaço

Começo a ficar cansado do cansaço de estar

Cansado,

Começo a ficar cansado, de olhar

O cansaço milenar do mar

 

Mar eu me sinto tão cansado, em te olhar

Começo a ficar cansado, da lua

E do luar

Que me cansam, que começo a ficar cansado, de estar

 

Cansado de amar.

 

10/06
01:26

09 junho 2026

É horrível, frágil

É horrível, frágil

Sentir o estranho, pedir a um estranho

Viver acreditando

Que cada estranho, não passa disso

De um estranho

 

O estranho, estranho é eu saber que sou um estranho, vivendo neste estranho, que sou eu

Sabendo que a morte, se o é, pertence ao xisto

E à voz, que semeia na areia

O som de um estranho, que coxeia

E que se passeia, na areia

 

É horrível, frágil

Ser, e o ter

Sentado, o abstracto aledo, o medo

Pedir ao destino, um menino

Com tino, com tino

 

E com outro destino, dizendo, porquê?

Se a voz morreu, se os olhos não são nem estrelas, e estrelas

Como o céu, na voz que procura a bruma

Maré, sideral, o drama

O drama de uma colmeia

 

09/06
22:36