Hoje
Hoje foi impossível, foi
das 10 horas até às 21 horas, quase sem parar, e depois de um bom banho e de
uma saborosíssima sandes de leitão, não sei se serei capaz de escrever,
qualquer merda que seja, qualquer coisa que me alivie as dores nas costas e nas
mãos,
No entanto, aqui vamos
A papoila de olhar
silenciado
A papoila de olhar silenciado,
vestida de néon no perfume, no ciúme, e na cama
A santa e poderosa e
também maligna, a comichão nos tomates, mas
O que são pedaços de néon
nas sobrancelhas da noite?
Quanto aos tomates,
daquilo que oiço, um horror
Credo, estão tão caros os
tomates, senhor António?
Dizem que é do gasoil,
Pois, pois
Mas a papoila não queria
saber do preço dos tomates, do preço do gasoil, e o raio que a parta
Olha
Ficou-se a dormir
De pé?
Eu quase, mesmo assim
Sinto do ventre da chuva o
magma em espuma ardente
No sabor da vontade
Nas mãos de muita gente
Gente, gente como eu
Gente em apuros, gente
que nasce, gente que morre
E no entanto, o que dizer
a tanta gente
O que dizer à papoila de
olhar silenciado
A minha sorte, que quase
nunca tenho sorte
E graças ao Camões,
Quarta-feira é feriado,
Dia de Portugal.
07/06
22:40