07 junho 2026

A papoila de olhar silenciado

Hoje

Hoje foi impossível, foi das 10 horas até às 21 horas, quase sem parar, e depois de um bom banho e de uma saborosíssima sandes de leitão, não sei se serei capaz de escrever, qualquer merda que seja, qualquer coisa que me alivie as dores nas costas e nas mãos,

 

No entanto, aqui vamos

 

A papoila de olhar silenciado

 

A papoila de olhar silenciado, vestida de néon no perfume, no ciúme, e na cama

A santa e poderosa e também maligna, a comichão nos tomates, mas

O que são pedaços de néon nas sobrancelhas da noite?

 

Quanto aos tomates, daquilo que oiço, um horror

 

Credo, estão tão caros os tomates, senhor António?

Dizem que é do gasoil,

Pois, pois

Mas a papoila não queria saber do preço dos tomates, do preço do gasoil, e o raio que a parta

Olha

Ficou-se a dormir

De pé?

 

Eu quase, mesmo assim

 

Sinto do ventre da chuva o magma em espuma ardente

No sabor da vontade

Nas mãos de muita gente

Gente, gente como eu

Gente em apuros, gente que nasce, gente que morre

E no entanto, o que dizer a tanta gente

O que dizer à papoila de olhar silenciado

 

A minha sorte, que quase nunca tenho sorte

E graças ao Camões,

Quarta-feira é feriado,

 

Dia de Portugal.

 

07/06
22:40