Espero o barco que me vai levar, trazer a mim o fogo que deixei
Nos olhos de outros meninos
Encontrar-me com o dia, deitar-me sobre as pedras do mar
E escrever no cacimbo a melódica serpente que pertence aos lábios do vento
Como fui feliz, descalço, quase nu, e nunca
Me diziam de que cor era a saudade, afinal
A saudade sempre foi azul, triste
Como os barcos que por mim passam
E passaram tantos, mentiras, veleiros de novos mares
O azedume árduo, semelhante ao pôr-do-sol
Uma bandeira, à janela
Se tantas pedrinhas tem uma parede
Na alvenaria pedra, miséria a distância,
Entre um beijo
E uma mão, na palavra do senhor
Ámen.
23/03/2026, 21:39



