23 março 2026

Espero o barco que me vai levar, trazer a mim o fogo que deixei

Espero o barco que me vai levar, trazer a mim o fogo que deixei

Nos olhos de outros meninos

Encontrar-me com o dia, deitar-me sobre as pedras do mar

E escrever no cacimbo a melódica serpente que pertence aos lábios do vento


Como fui feliz, descalço, quase nu, e nunca

Me diziam de que cor era a saudade, afinal

A saudade sempre foi azul, triste

Como os barcos que por mim passam


E passaram tantos, mentiras, veleiros de novos mares

O azedume árduo, semelhante ao pôr-do-sol

Uma bandeira, à janela

Se tantas pedrinhas tem uma parede


Na alvenaria pedra, miséria a distância,

Entre um beijo

E uma mão, na palavra do senhor

Ámen.


23/03/2026, 21:39