23 março 2026

a vida não me pertence, e não entende

a vida não me pertence, e não entende

que o círculo é o destino do quadrado

quando foge do abismo

quando acorda, e logo a seguir

morre,

e se transforma na divindade de um sorriso.

 

mais um dia, outro dia, cópias de antigos dias

se a rua é um arguilheiro de uma espada lançada sobre a calçada, se todos fossemos ausentes, não

a vida não me pertence, e me vence

me quer acorrentado a cada sombra, desenhada

na algibeira de um palhaço, fino

tão fino como o fio que me prende, à vida.

 

já é quase sol, e a vida desliza sobre os carris do rochedo encarnado,

coitado, se foi o soldado

que disparou contra a vida, se foi o soldado

numa outra vida, quando se travestia de petroleiro

e dançava sobre a mesa-de-cabeceira, ela sim

com vida…

 

Alijó, 23/03/2026, 06:44