a vida não me pertence, e não entende
que o círculo é o destino
do quadrado
quando foge do abismo
quando acorda, e logo a
seguir
morre,
e se transforma na
divindade de um sorriso.
mais um dia, outro dia,
cópias de antigos dias
se a rua é um arguilheiro
de uma espada lançada sobre a calçada, se todos fossemos ausentes, não
a vida não me pertence, e
me vence
me quer acorrentado a
cada sombra, desenhada
na algibeira de um
palhaço, fino
tão fino como o fio que
me prende, à vida.
já é quase sol, e a vida
desliza sobre os carris do rochedo encarnado,
coitado, se foi o soldado
que disparou contra a
vida, se foi o soldado
numa outra vida, quando
se travestia de petroleiro
e dançava sobre a
mesa-de-cabeceira, ela sim
com vida…
Alijó, 23/03/2026, 06:44


