Aqui, às vezes me escondo
Partilhando tristezas,
alegrias
Com as páginas de um
livro, no mais puro silêncio
Aqui, às vezes me escondo
Partilhando tristezas,
alegrias
Com as páginas de um
livro, no mais puro silêncio
são mil os soldados que
me querem matar
porque eu nunca serei uma
gotinha de sangue, na lágrima de alguém
e outros muitos mais,
virão, e
depois dizem que sou
louco, porque desejo voar
ou
são mil os soldados que
me querem matar
porque gosto da chuva,
porque gosto das flores
e das faúlhas de um
sorriso, porque
porque mil soldados,
armados
me querem matar
e em cada rua, e em cada
esquina
de luz, ou de um cigarro
que flutua
na algibeira do sono, um
punhado de pedras, uma qualquer saliência
no peito, um desejo de ir
e de não levar comigo
identidade, ou até
o sitio de onde vim, ou
até no sítio para onde vou
não preciso de relógio,
preciso de comer, mas já como tão pouco
que,
havia um sino na toca da
raposa, havia uma sombra no leito do lobo
e do sítio de onde vim,
apenas uma fotografia
só
aquela imagem do ombro a
tocar no arame farpado da vida, em círculos, e em muito pequeninos pontos de
luz, sem regresso
tão tristes os mil
soldados, sobre as limalhas do vento, gente a sofrer,
que vivem, sem viver
porque também eles, vão
morrer
às mãos dos mil soldados
que me querem matar.
Alijó, 22/03/2026 - 05:58
Quase que não tenho viver, não sei como é o pincelar de uma fotografia
Não sei como é o amor da chuva quando a tarde se esconde no teu sexo
E na mão de Deus o fogo que eu apenas sentia quando a ausência era só uma pétala
No olhar da tua boca
Quase que não tenho viver, não
Ter, e sentir
A rua na esquina do mar, a rua de onde vou partir
E dizer, e escrever
Escre
Ver, o tempo no toque do meu sol, sem
Tempo, e frio
Como o vento da tua voz nos lábios de um rio.
21/03/2026, 21:18
Os nossos corpos são as palavras em puro desejar
São gotículas de tinta na tarde quase nos teus seios chover
E deles sinto o acordar
Da primavera que leva de ti todo o teu sofrer
Os nossos corpos são as palavras em puro desejar
Nas páginas de um livro em feitiço poesia
Quando o mar
É o começo de um novo dia
Os nossos corpos, meu amor, são as palavras em puro desejar
Que a fogueira não se cansa de escrever
São os nossos corpos um apenas sonhar
Numa cama a arder...
21/03/2026, 20:27
porque te escondes, meu
amor
se apenas sou um
miserável, e faminto
e tudo o que te escrevo,
é a verdade, porque eu não minto
como também não mentem,
as pétalas de uma flor
porque te escondes,
porque te vestes de vento
e quase sempre, voas
sobre o meu silenciar
se eu apenas quero te
tocar
e viver, e amar no teu
pensamento
porque te escondes, meu
amor
sabendo que o rio não se
cansa de me esperar
e quando lá chegar, e
quando lá me sentar e sem dor
pegar na tua mão, como
que se ela fosse uma lágrima de alegria
ou uma criança junto ao
mar
porque hoje, meu amor,
hoje é o dia mundial da poesia.
Alijó, 21/03/2026 – 05:44
água, o silêncio que habita na ardósia
que escreve sob a ponte o
nome da chuva
e um guarda-chuva,
preocupado
deitado, ou até sentado
quanto a mim, me vou
ir, partir deste inferno
deserto que acorda e que morre
quando a espada se crava
na terra
e a raiz do olhar
em lascas, finas como
finas o ão
as poeiras da montanha, e
o mar
mais azul, mais triste
porque a água é o
silêncio que habita na ardósia.
Alijó, 20/03/2026