20 setembro 2026
Só os bolos rio acima
Só os bolos rio acima,
Sem ninguém lhes tocar, a mulher
No orgasmo desenha a luz, sem ninguém
Lhe tocar, sem ninguém lhe tocar
Colapsa a paixão,
E é sempre noite
Nos lábios de uma mão, sem ninguém
Lhe tocar,
O rio é o pincelar da lua, sem ninguém
Lhe tocar,
O esperma será vinho,
Sem ninguém, lhe tocar
Sem ninguém me tocar,
Vou vivendo, sonhando com o mar.
20/09
15:03
O ourives
A erva cresce na mão de
lama do ourives,
cada alicate de pontas no
trabalho da sombra,
é uma drageia invisível
que alimenta a carne,
a terra é a luz da manhã
que incendia o rio,
e a tarde funde-se
no ânus da mão de lama do
ourives.
O ourives tem no peito um
ramo de girassóis
que são,
metade em forma de
laranja,
de corpo rochoso, e a
outra
metade, um fio de água
que corre para o verso,
sempre que de um relógio
morre
o mecanismo oncológico da
tarde.
Um dia a lama será oiro,
e a mão do ourives a
charrua de sangue,
que lavra a vagina
virtual, que à janela,
devora a maçã que se
escondeu nos olhos de Eva,
purgatória clandestina,
no viver, e no ser.
Adão, o ourives da infortuna
madrugada,
da sua mão de lama, e
máscara
e da música alucinação
depois de toda a erva
morrer,
depois de o corpo, ressuscitar,
a alma difusa da luz, ele
é a tarde já tão cansada
de viver.
20/09
13:43
A última noite
A serra no silêncio da última noite, havia uma fotografia que não tinha motor nem maré ausente para beijar o fogo, e a noite era quase orvalho quando o fogo brincava na rua, não era
A serra a luz que eu procurava, e também
Não era a noite a paixão que sobre mim, caiu.
E o pincelar da chuva na boca faminta da serra, era o dia na esquina do amar,
Ruas depois, as palavras eram árvores no chão da tarde, mas
O meu sonhar pertencia ao vento, e ele
O levou para outro mar, não
Não sei como se chama esse mar, e esse vento
Porque o fogo era apenas um pássaro, que voava
Na ausência do ser.
20/09
09/07
De lobo o ser, em pele de cordeiro, o viver.
De lobo o ser, em pele de
cordeiro, o viver.
Desce o rio a calçada,
sobe a calçada, o rio
É no tempo e é no sítio, o
ter
Ter um corpo, com muito
frio.
E vai o rio, e vem a espada
No punho, e no sentido
vento
Que da palavra, nascerá
nova madrugada
E um novo alento.
Vai à escola, o jumento.
De lobo o ser, em pele de
cordeiro, o viver
Na garagem de um sargento,
Sobe, sobe este rio desce
a calçada
Quando a mão deixa de
pertencer
Às garras da alvorada.
20/09
02:27
