A erva cresce na mão de
lama do ourives,
cada alicate de pontas no
trabalho da sombra,
é uma drageia invisível
que alimenta a carne,
a terra é a luz da manhã
que incendia o rio,
e a tarde funde-se
no ânus da mão de lama do
ourives.
O ourives tem no peito um
ramo de girassóis
que são,
metade em forma de
laranja,
de corpo rochoso, e a
outra
metade, um fio de água
que corre para o verso,
sempre que de um relógio
morre
o mecanismo oncológico da
tarde.
Um dia a lama será oiro,
e a mão do ourives a
charrua de sangue,
que lavra a vagina
virtual, que à janela,
devora a maçã que se
escondeu nos olhos de Eva,
purgatória clandestina,
no viver, e no ser.
Adão, o ourives da infortuna
madrugada,
da sua mão de lama, e
máscara
e da música alucinação
depois de toda a erva
morrer,
depois de o corpo, ressuscitar,
a alma difusa da luz, ele
é a tarde já tão cansada
de viver.
20/09
13:43