05 outubro 2026

Aqui o oiço, coitado

Aqui o oiço

descendo aos caboucos

do inferno de candeia

na mão, descendo,

fingindo sorrir

às cânforas andorinhas em

papel que se afligem,

que escutam da algibeira do entardecer,

o vento, e a primavera de sentir

e de viver, o esquecimento,

o tempo,

e a demolição austera da fortuna.

 

Aqui o espero,

e o oiço camuflando a razão

se existe razão,

para ouvir o sono,

ou para brincar, ou até,

quem sabe,

para conversar,

melhor do que a insónia,

não há,

há.

 

Marés de papel

comparadas com infinitas linhas,

elásticas, sabendo

eu que o memento elástico,

sabendo eu que o

momento plástico,

sabendo eu que o colapso

é e só,

um até já, ou,

ou até, um adeus,

um,

fim-de-semana

dentro de um cubo,

e este, dentro de um perfil

em aço S355, ou até,

o Herberto

às quadro da manhã,

conversando comigo,

e eu, e eu acreditando,

que sim, sim.

há.

 

Há princesas

e há momento

flector na curva,

e na cuequinha,

línea, da mão, elástica,

na mão do diagrama

de esforços,

em newtons nos kilonewtons da

cansada mistela que é,

o dia verso a noite; quem ganha,

ao final do dia?

O dia, claro.

Ninguém diz,

quem ganha,

ao final da noite?

Só no casino, e

raramente,

na cama.

 

Aqui o oiço, coitado.

 

05/10
23:31