26 julho 2026

Um pouco mais de azul

Um pouco mais de azul,

sob a luz da razão, que da loucura vem o ângulo

encarnado descendo o quadrado,

na visão nocturna da mão

o teu corpo sideral

não é mais um cálice de vinho do porto velho,

o teu corpo silêncio não será mais

a revolta do meu grito,

eu o sinto, eu deixei de dormir na ausência

e na demência

e de me esquecer,

que nunca será a lua

a primavera

de um olhar.

 

Um pouco mais de azul, e o teu corpo

será vento, e o teu corpo será rio

em direcção ao mar,

no frio abismo e da revisão obscura dos lábios,

eles que procuram, eles que são as cerejas

de uma primavera cansada,

um pouco

se ao destino pertencemos,

e a estrada será a pirâmide que

incendeia a noite com as janelas quase

tapadas por um cortinado de insónia.

 

Sonhar-te

e te desenhar na sinfonia de um lápis,

porque será

que a drageia é o húmus

e é a maré de não

e de nunca

me amares

no silêncio de uma espada,

sobre o meu peito, o sangue

e a chuva derramada.

 

Um pouco mais de azul, dizia a rua sem gente

para do outro lado da rua, essa, com muita gente,

gente apressada, gente

será a lua a miséria do poeta,

será a luz a morte do miserável,

que é porta e que sonha, porque será

o teu corpo o pólen e os teus seios o mel

vertido e sofrido

na minha boca,

eu os beijava, e os mordia invisivelmente,

um

pouco mais de azul.

 

E eu enlouqueci te

sonhando e acreditando, e eu enlouqueci junto a este rio

sem nome, sem destino

ou rumo ou fome

não ter, e de ter

um nome, que me aflige

e que me assassina no primeiro orgasmo da noite,

somos

as árvores do alicerce,

e da mobília de uma mão,

em riste

o circo, o tecto do universo,

um ponto apressado,

rumo ao inferno.

 

E no azul um pouco mais da tua mão

no meu rosto quase gelo,

e tão só e o só,

azul-mar das tábuas apodrecidas da ida e da vida,

na volta do correio,

na sabedoria, o algoritmo que traça sobre a geada o poema, a vergonha de ser, e de ter,

e pedir à sombra

a presença de uma enxada,

no xisto viril da ilusão do meu viver.

 

26/07
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