Um pouco mais de azul,
sob a luz da razão, que
da loucura vem o ângulo
encarnado descendo o
quadrado,
na visão nocturna da mão
o teu corpo sideral
não é mais um cálice de
vinho do porto velho,
o teu corpo silêncio não
será mais
a revolta do meu grito,
eu o sinto, eu deixei de
dormir na ausência
e na demência
e de me esquecer,
que nunca será a lua
a primavera
de um olhar.
Um pouco mais de azul, e
o teu corpo
será vento, e o teu corpo
será rio
em direcção ao mar,
no frio abismo e da
revisão obscura dos lábios,
eles que procuram, eles
que são as cerejas
de uma primavera cansada,
um pouco
se ao destino
pertencemos,
e a estrada será a
pirâmide que
incendeia a noite com as
janelas quase
tapadas por um cortinado
de insónia.
Sonhar-te
e te desenhar na sinfonia
de um lápis,
porque será
que a drageia é o húmus
e é a maré de não
e de nunca
me amares
no silêncio de uma
espada,
sobre o meu peito, o
sangue
e a chuva derramada.
Um pouco mais de azul, dizia
a rua sem gente
para do outro lado da
rua, essa, com muita gente,
gente apressada, gente
será a lua a miséria do
poeta,
será a luz a morte do
miserável,
que é porta e que sonha,
porque será
o teu corpo o pólen e os
teus seios o mel
vertido e sofrido
na minha boca,
eu os beijava, e os
mordia invisivelmente,
um
pouco mais de azul.
E eu enlouqueci te
sonhando e acreditando, e
eu enlouqueci junto a este rio
sem nome, sem destino
ou rumo ou fome
não ter, e de ter
um nome, que me aflige
e que me assassina no
primeiro orgasmo da noite,
somos
as árvores do alicerce,
e da mobília de uma mão,
em riste
o circo, o tecto do
universo,
um ponto apressado,
rumo ao inferno.
E no azul um pouco mais
da tua mão
no meu rosto quase gelo,
e tão só e o só,
azul-mar das tábuas
apodrecidas da ida e da vida,
na volta do correio,
na sabedoria, o algoritmo
que traça sobre a geada o poema, a vergonha de ser, e de ter,
e pedir à sombra
a presença de uma enxada,
no xisto viril da ilusão
do meu viver.
26/07
05:29