Estruturalmente, na
espuma dos dias,
entres as mortas janelas
do acordar,
no círculo mais afastado
do
silêncio, o cordel que
aprisiona
a nuvem, e a cama à qual
está abraçado,
o cordel
no olhar, a espuma
invisível,
a equação, a razão, a
cadeira
e o guarda-sol
ao vento, dançando,
cantando na despedia
da mão.
Nunca tive medo
da mão, nunca
eu tive,
uma mão
quando a noite
na noite se é uma parede
sombreada, erguida,
e desalinhada, o tecto, e
a enxada
o viver acorrentado e
depois morrer, e
enlouquecer,
na fimbria palavra
subindo até ao luar
e
viva,
vivo no horizonte
abismo de pertencer e
de ser, nuvem e
granizo, guarda-chuva
e vitrina
de cidade.
Ao longe
e ao perto,
no aquário já é inverno,
no inferno ciclo lunar
do mel, untar os teus
seios
com ele, e os beijar,
na chuva ausente da
última
jangada a atravessar
o rio.
A ponte, no aço,
o martelo, a verga
e o vergasto, lento
e gasto,
dizias-me que era
apenas uma janela,
uma lagrima desenhada,
por uma abelha,
por uma abelha
apaixonada.
Já neva no teu silêncio,
e sinto medo do frio
invisível,
o fim de tarde levita, é
o último beijo da
despedida,
a tília
verga-se no dorso cansado
de uma sombra, a sombra
de um rio
envenenado pelo veneno do
tempo.
Não sei,
estruturalmente,
na espuma dos dias,
entres as mortas janelas
do acordar,
no círculo mais afastado
do silêncio e do mar não
mais sonhar.
25/07
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