25 julho 2026

Na espuma dos dias

Estruturalmente, na espuma dos dias,

entres as mortas janelas do acordar,

no círculo mais afastado do

silêncio, o cordel que aprisiona

a nuvem, e a cama à qual está abraçado,

o cordel

no olhar, a espuma invisível,

a equação, a razão, a cadeira

e o guarda-sol

ao vento, dançando,

cantando na despedia

da mão.

 

Nunca tive medo

da mão, nunca

eu tive,

uma mão

quando a noite

na noite se é uma parede

sombreada, erguida,

e desalinhada, o tecto, e a enxada

o viver acorrentado e depois morrer, e

enlouquecer,

na fimbria palavra

subindo até ao luar

e

viva,

vivo no horizonte

abismo de pertencer e

de ser, nuvem e

granizo, guarda-chuva

e vitrina

de cidade.

 

Ao longe

e ao perto,

no aquário já é inverno,

no inferno ciclo lunar

do mel, untar os teus seios

com ele, e os beijar,

na chuva ausente da última

jangada a atravessar

o rio.

 

A ponte, no aço,

o martelo, a verga

e o vergasto, lento

e gasto,

dizias-me que era

apenas uma janela,

uma lagrima desenhada,

por uma abelha,

por uma abelha

apaixonada.

 

Já neva no teu silêncio,

e sinto medo do frio invisível,

o fim de tarde levita, é

o último beijo da despedida,

a tília

verga-se no dorso cansado

de uma sombra, a sombra de um rio

envenenado pelo veneno do tempo.

 

Não sei,

estruturalmente,

na espuma dos dias,

entres as mortas janelas

do acordar,

no círculo mais afastado

do silêncio e do mar não mais sonhar.

 

25/07
22:46