26 julho 2026

Na terra é da palavra semeada

Na terra é da palavra semeada

quando a chuva é o filho que a ribeira

lançou sobre o capim

na lâmina cansada de uma caneta,

a tua mão está em brasa, no lume ciúme

que afugenta a luz e esconde na sílaba,

o destino

a tua mão,

nem lhe toco, sequer,

na invisível ciência do pescador,

dentro do rio, de espinhada na mão,

toco-te.

 

E te sinto,

e que te quero,

e que te beijava inventando no poema

pombas coloridas, e desenhava no céu

estrelas de muitas cores,

todas elas.

 

Com um nome,

e todas elas nas distintas

flores e dos olhares da serpente,

que da profundeza do mar, se amar

se ergue e que nunca mais

caminhará junto ao rio, descendo,

e subindo

a rua,

a calçada

ou ainda,

ou ainda

depois da morte,

ser o destino de uma pedra,

de uma lágrima ou de um punhado de erva,

de erva também ela,

a morte,

a morte dela.

 

26/07
10:13