26 julho 2026

Quase que morri

Quase que morri.

Na tua boca em verso e flor

e a noite e a fotografia de uma ausência,

que morri na tua boca, não sentir e

o saber, arde dentro de mim

o fogo da chuva,

em min que te semeaste

e cresceste entre as palavras

e o beijar do vento que partiu

e que nunca mais foi gente.

 

A febre está na tarde disfarçada de manhã,

e depois 

quase que na tua boca eu morri,

não vencendo, a última noite do oceano.

 

Tenho barcos, muitos olhares

no mar que me atormenta,

morrer, e depois 

vou fazer, o quê?

as almofadas do quarto céu que dançavam,

e que tinham

um gato para cuidar,

e uma janela para abrir,

se na eira se deitava, e a fodia, e ele

ouvia o seu gemer.

 

A luz no silêncio, a minha mão

é quase uma mão que banha o teu corpo nu,

o último apito da morte,

quase que morri na tua boca,

quase que fui, rua na despedida de uma cidade invertida,

e em nada, divertida 

mil enxadas sobre o azul de um beijo,

a carne floresce,

e cresce e sorri 

quase que morri,

na tua boca em três ventos, à porta

de uma casa, a mágoa e a noite,

o pénis em pânico,

na esquina do amar, mas 

quase que morri,

morrer em tua boca cantante.

 

26/07
15:32